O que é
Esta página não é um blog. Este documento destina-se a apresentar
o "Estado da Nação" e o porquê. Donde, sendo na sua maioria assuntos do passado (históricos), são
inalteráveis, podendo apenas ser completados ou acrescentados com actualizações.
Apenas para facilitação, apõem-se números de versões (ex.: V. 1.2) às
eventuais actualizações. Tem
hiper-ligações a outros documentos que o completam ou lhe conferem actualidade. A mudança de número à
esquerda do ponto (.) corresponde a uma remodelação. As datas das publicação dos originais situam-se entre
Novembro de 2005 e Julho de 2006.
Este documento está estruturado da seguinte forma.
Após um Preliminar explicativo, começa por uma análise do que é uma democracia, dos cânones
fundamentais que a definem e que a compõem, Bases duma Democracia. Esta apresentação torna-se imprescindível
devido aos "desensinamentos" dos políticos que, no seu próprio interesse desonesto incutiram uma ideia errada sobre
o assunto a tal ponto que hoje, a quase totalidade dos Portugueses não sabe o que é uma democracia e até julga que
é aquilo em que vive e o modo como vive, tal como lhe tem sido impingido por políticos e jornalista. Por vezes,
tanto uns como os outros, quando são obrigados a reconhecer as verdadeiras democracias e nelas falarem, dizem-nos
com fingido ar triste que em Portugal é diferente e não pode ser igual. Apenas para desculparem as suas acções e
procurarem a aprovação servindo-se do logro. Novidade!?
Segue-se-lhe uma parte onde se resume a realidade portuguesa, A Democracia em Portugal.
Em ambas estas partes se fazem comparações entre uma verdadeira democracia e "aquilo" que existe e se vive em Portugal.
Tudo no site se relaciona com o mesmo tema: o que a corrupção e a ganância da maioria dos
políticos fizeram do país e a falsidade com que estes acontecimentos têm sido negados, transformados e apresentados
como benesses de políticos honestos e benfazejos. As hiper-ligações no corpo dos textos ou na coluna da esquerda, destinam-se sempre a facilitar
a compreensão dos
textos, diferentes tópicos mas sempre intimamente relacionados, ou são desenvolvimentos dos mesmos tópicos. Algumas destas hiper-ligações
na coluna da direita não estão ainda activas e as palavras que as efectuarão estão provisoriamente
representadas a vermelho.

Sumário
O que se segue é a realidade do estado da Nação. É evidente que a escuridão da ignorância em que os políticos
têm mergulhado o povo português e assim o têm mantido com a evidente ajuda dos jornalistas, impedirá a maioria de
o compreender e, subsequentemente, de ver a realidade ou de a poder comparar com o que a este propósito se passa em
países democráticos e civilizados, dos quais Portugal deixou de fazer parte, muitos dos quais estavam bem mais
atrasados há três décadas, tanto financeira como democraticamente. A alta corrupção junta a extremas
inaptidão e incapacidade dos governos que receberam os grandes
montantes iniciais dos fundos de coesão e reestruturação da União Europeia para o arranque do progresso, desperdiçaram-nos e usaram-no em seu próprio proveito, pontapeando a possibilidade de qualquer
progresso.
Foi este o princípio da desgraça de hoje e das próximas décadas, pois que a inércia não permite
um grande
afrouxamento imediato na descida. O progresso tem-nos sido servido como uma ilusão: quando Portugal progride 5% e sobre o
facto políticos e jornalistas fazem uma enorme algazarra mascarando com o facto uma lavagem cerebral à população, por exemplo, os outros países progridem
10%, ou seja,
na realidade acabou de se encaixar um atraso de
5% sobre os outros. Mas os políticos não perdem a ocasião para disfarçarem a verdade enganando os eleitores. Assim, não obstante
a falsidade como políticos e jornalistas nos têm apresentado o "progresso" nacional, a realidade é que, cerca de
1972, Portugal apresentava um atraso de cerca de 20 anos em relação à média europeia, enquanto que em 2004
esse atraso subiu para cerca de 52 anos. Tudo o que se diga, que contrarie este facto
inalienável, são tretas e
falsidades de políticos para alimentar a ignorância e estupidez dos que neles acreditem. E continua a aumentar; o resvale
continua numa queda constante com a força da inércia, pois que na realidade nada tem sido feito para o parar, só
mezinhas para arrancar votos. O gráfico contíguo (2006) ilustra o nivelamento em marcha na UE, em que, na média e na
generalidade, são os
países mais pobres que conseguem atingir o maior crescimento. Todos têm governos honestamente interessados no
progresso dos seus países, por oposição aos nojentos políticos que nos têm relegado para a estrumeira da Europa,
onde apenas eles deviam ser depositados.
O mesmo gráfico expressa também os resultados das políticas de governos portugueses corruptos durante décadas.
Desvenda ainda a estupidez crassa duma população que tem persistido em eleger quem a mata nas estradas e nos
hospitais, quem originou a falta de médicos e o super excesso de advogados, quem organizou um ensino bruto que não
permite que os seus estudos sejam reconhecidos noutros países, quem a faz passar fome, etc. Todos estes factos
não são apenas do amplo
conhecimento de todos em toda a Europa. Unicamente escondidos aos portugueses por políticos e
jornalistas – porquê, senão por malvadez, vistos os resultados? –, estes dados são também altamente fiáveis, pois que provêm de estatísticas publicadas
pelo Eurostat e por outras entidades europeias e mundiais consideradas honestas e verdadeiras. Toda a gente na
Europa conhece como os políticos portugueses têm desgraçado o país, ninguém o ignora a não ser os próprios
portugueses. Políticos e jornalistas camuflam-nos, insistindo com
constantes alusões a pequenos progressos cujo valor alteram, aumentando-os desmesuradamente numa tentativa constante
de dissimularem a realidade, desviando a atenção sobre os dados reais. Estes dados são, todavia, incontestáveis,
atestam o contínuo retrocesso da economia e demonstram que todas as
referências dos políticos e dos jornalistas quanto a um hipotético desenvolvimento e progresso do país não passam
de imposturas de canalhas miseráveis.
O atraso tem sido contínuo. Antes da adesão à
União Europeia esteve camuflado pela incessante desvalorização do
Escudo e engenharia económica (outra forma de corrupção), mas
agora que isso já não é possível, a verdade vem ao de cima. Quem, com alguma coisa dentro da cabeça pode acreditar que
o atraso se operou
rapidamente apenas nos últimos tempos? O atraso profundo em que nos colocaram era impossível de ter sido
infligido em tão poucos anos. Teve que começar logo imediatamente após a recepção da primeira
transferência de fundos, tal como referido neste site e operado pelo governo da altura, o do PSD e pela sua chefia.
Note-se que não se ataca esse partido em especial, o facto é circunstancial. Se outro partido lá estivesse, o
resultado seria provavelmente muito idêntico. o mal está muito mais em quem compõe os partidos do que neles
mesmos. O que não se pode tolerar é a falsidade como os políticos,
principalmente, apresentam o assunto de modo a disfarçar, adormecer e burlar a população. com o demonstrado êxito
obtido na eleição presidencial de 2006, em que os jornalistas, encobrindo os burlões e as desgraças que estes
administraram à população, elegeram o presidente da república.
Assim sendo, a mais
do que óbvia consequência será a continuação do mesmo estado para conveniência dos que dela se têm aproveitado e aproveitam e
continuarão a aproveitar e a desgraça dos que para isso têm pago e continuarão a pagar, com o seu trabalho, a sua
pobreza, a sua saúde, a sua liberdade e a sua ignorância, com o sacrifício das suas pessoas e das suas famílias.
Que verdadeira abnegação em massa! Consequência indubitável é também que estas condições
são as ideais à sua própria manutenção, podendo claramente prever-se a continuação do atraso do país e da sua
população. Pouco após o final duma década Portugal terá passado para o extremo da cauda da Europa, ou seja, para trás de todos os
países que a ela se juntaram e até lá se juntarão, já previstos ou não. O atraso e a consequente pobreza continuarão a
agravar-se, ou seja, os políticos, ajudados por jornalistas que os encobrem estúpida e maliciosamente,
continuarão a parasitar a população. Além da abusiva e fraudulenta menção da aplicação dum evidentemente
impossível choque tecnológico (palavreado para arrancar votos, como qualquer outra mentira), outras armadilhas a
votos aparecerão sem que nenhuma mudança se opere devido à arrogância dos políticos ser admitida num sistema que
sob o falso nome de democracia lhes serve às mil maravilhas para se enriquecerem à custa da desgraça que espalham
pelo país, devido à sua incompetência à sua ganância ao seu partidarismo e não nacionalismo, à sua traição à
população. Poderá este procedimento, claramente impregnado dos patenteados
mais baixos sentimentos, ser verdadeira e sinceramente isento de premeditação intencional e
de malvadez?
O passado recente provou que os portugueses, ainda que estupidamente orgulhosos e se julgarem melhores
e mais espertos que todos, foram suficientemente embrutecidos para não se darem conta do procedimento dos políticos, para não
serem capazes de tomar conta duma verdadeira democracia que os servisse a eles e não aos políticos, e para ainda
acreditarem nas canções de embalar dos que com comprovadas baixas intenções lhes têm assim feito a cama. Não é disso
suficiente prova [caso tão inacreditavelmente espantoso de estupidez que por isso se repete] terem eleito aquele que os atirou para a estrumeira, não utilizando os fundos europeus para o
desenvolvimento do país (crime de má administração) e que permitiu que o seu governo e funcionários, ambos assim
comprovadamente corruptos, distribuíssem
esses fundos a seu bel-prazer, que desbaratando o dinheiro espalhando-o e pondo-o em circulação formou a ideia e
o sentimento falsos de que se estava a enriquecer, quando era exactamente o inverso, visto se estar a queimar o
futuro e, simultaneamente, não se ter acompanhado o progresso dos outros países europeus então tão atrasados ou
mais? Aquele que originou conscientemente a crise de falta de médicos, com as suas atrozes consequências na saúde
da população e do número exagerado de advogados (há hoje, proporcionalmente, oito vezes mais do que na Alemanha,
por exemplo). Enquanto ou outros países tão atrasados como Portugal ou mais, usaram os fundos para progredirem com
êxito, em Portugal foram distribuídos corruptamente e postos em circulação para dar a ilusão de se estar a
enriquecer devido a uma boa política e roubando-se assim facilmente os votos aos eleitores: essa falsa sensação de progresso fomentou votos durante muito tempo e até mais tarde em eleições
presidenciais. Os eleitores, completamente anestesiados por políticos e jornalistas, e pela consequentes
inexperiência e ignorância político-democrática, até se "esqueceram" completamente de quem provocou a crise da falta de médicos,
decretando uma diminuição drástica nas admissões às faculdades. Todavia, todos os anos saíam – e continuam a sair
– fornadas de advogados que para nada servem. Pobres portugueses orgulhosos de serem ignorantes, estupidificados e
entorpecidos...
Tudo isto é mais ou menos conhecido nos outros países europeus. As suas populações sabem-no
bem. Ao que parece, só os próprios portugueses o ignoram. Porquê? Todos conhecem também a ignorância, a falta de
civismo e o atraso mental arrasador dos portugueses. Ao que parece, também só os próprios portugueses o ignoram.
Porquê? Todos os outros povos sabem porque os portugueses se matam na estrada, eles próprios procuraram e
encontraram o caminho para evitar esse género de catástrofe. Mais uma vez, só os portugueses o desconhecem.
Porquê? Que será que não permite aos portugueses conhecerem os seus próprios problemas e proporcionar-lhes a
possibilidade de os resolverem com
êxito, como aconteceu nos outros países, por demais conhecendo-se já esses exemplos e essas experiências?
Quem não acreditar e quiser pôr à prova os seus conhecimentos e orgulho, tem um solução das
mais simples. Guarde este preâmbulo e a exposição que se segue, anote a data (fins de 2005,
data deste preâmbulo, escrito após o corpo do artigo). Aguarde umas duas
décadas. Leia-a de novo e diga então que era tudo mentira. Talvez só que o seu orgulho não lhe admita
aceitar esta prova.
Veja-se ainda o Preâmbulo geral do site.
[ Conteúdo ] [ Sumário ]
interesse primordial é saber o que é exactamente
aquilo que se toma por democracia. Filologicamente, democracia é uma palavra latina (democratia) de
etimologia grega (demokratia) que ainda hoje mantém o significado original: “governo pelo povo por sufrágio
popular”. Historicamente, a democracia nasceu como reacção contra os governos oligárquicos atenienses.
Por seu turno, oligarquia é uma forma de governo em que predomina uma facção ou uma
família poderosa e tem também a sua raiz no grego (oligarkhia). A existência dum governo oligárquico não impede a
existência de várias oligarquias. Através da história tem-se verificado que pode acontecer existir uma única
oligarquia num país, mas geralmente coexistem vários grupos oligárquicos que se revezam pela força ou pela
persuasão. Por interesse comum, duas ou mais oligarquias podem até coabitar num mesmo governo, numa forma
conhecida por coalizão ou coligação. Note-se que nações democráticas têm adoptado esta forma sem por tanto terem
deixado de ser democracias, como nos países nórdicos. Como exemplo recente basta recordar que na década de 1990,
a Finlândia teve governos formados por políticos de 14 partidos diferentes, segundo foram votados e eleitos, e
continuam com o mesmo sistema em que os governos são compostos pelos eleitos e não por um só ou dois partidos
coligados. Obviamente, que desde que as forças oligárquicas obedeçam às regras democráticas, já não são
oligarquias (o que não acontece em Portugal). A democracia é sempre mantida desde que os seus
princípios básicos não sejam revogados, ou seja, desde que o povo continue como árbitro e soberano.
As oligarquias podem ainda assumir formas de interesses não especificamente políticos, mas
sempre relacionados com o poder. Há grandes e pequenas oligarquias, maiores ou menores.
É obvio que não se está a falar de nenhuma forma de governo estritamente moderna ou
revolucionária, mas em velhos, comprovados e mundialmente conhecidos sistemas com milénios de existência. Donde
se depreende a carência e o atraso democráticos existentes em grande número de países, dos quais Portugal
manifestamente faz parte. Uma democracia não só permite o controlo e o acesso dos cidadãos ao seu próprio
governo, dirigido por políticos capazes e experientes, como lhes atribui o arbítrio último (ultima arbitrium)
sobre as propostas ou decisões dos políticos, tanto da parte executiva como da legislativa. Numa democracia, o
facto dos políticos serem eleitos para governantes não lhes confere o poder nem o direito de agirem contra a
vontade nacional – representam os cidadãos (o povo soberano). A representação não inclui nem subentende a
substituição.
Nas verdadeiras democracias modernas europeias – de forma diferente na primeira democracia
ateniense, mas dentro de idênticos parâmetros – quando uma parte significativa da população discorda das decisões
governamentais existe maneira de contestá-lo. Para tanto basta reunir um número pré-determinado de assinaturas
(número relativo ao total da população do país) para que se proceda a um sufrágio que devolve aos cidadãos o
direito democrático na escolha de aprovarem ou rejeitarem as decisões contestadas aos governantes. São sempre os
cidadãos quem tem o arbítrio final sobre as propostas ou decisões dos políticos, ou então não se pode falar duma
democracia. Isto não significa que qualquer proposta de origem executiva ou legislativa seja sistematicamente
rejeitada ou até mesmo automaticamente posta em causa, mas o princípio do povo soberano é a pedra basilar duma
democracia. Numa democracia não existe qualquer outro soberano. Não existem órgãos soberanos, existem
organizações ou instituições – com esta ou qualquer outra nomenclatura – que exercem cargos em nome do povo,
único soberano, a ele prestando humildemente contas. O único soberano numa democracia é o povo e não o rei ou o
presidente da república (este último por de mais indubitavelmente atado ao seu partido), nem o parlamento, nem os
governantes, nem a procuradoria geral, nem os tribunais, nem os juízes, nem mais ninguém. Sem povo soberano e sem
sufrágio a palavra “democracia” é oca, mais não sendo do que uma impostura e uma farsa ridícula, usada pelos
políticos quando pretendem justificar os seus actos anti-democráticos contra o povo soberano.
Nalguns países nenhuma mudança na constituição nem qualquer mudança básica à legislação são
permitidas sem a consulta à população e a sua aprovação, nem mesmo se autoriza aos políticos inventar, mudar ou
aumentar qualquer imposto. Um imposto tem um fim determinado – aquele para que foi instituído – e jamais vai para
um saco azul. As leis que lhe dizem respeito esclarecem e determinam-no. Os governos, por meios de publicação, prestam contas do dinheiro
que usam dos impostos, quanto e como. As contas apresentadas são verificadas em auditoria. O dinheiro não lhes pertence, é do povo. No entanto a população não deixa
de aprovar nenhuma destas medidas, alterações constitucionais ou legislativas, ou aumentos de impostos sempre que
as considere justas e necessárias. Cabe aos políticos explicá-las ao povo soberano a fim de que este as entenda e
as aprove se as considera justas e no interesse geral. Uns países têm estes procedimentos mais desenvolvido do
que outros, mas em nenhuma democracia digna desse nome estes métodos podem ser simplesmente escamoteados
como em Portugal. Tal procedimento democrático é quase impossível em Portugal, onde a própria constituição, que ao
mesmo tempo que aparenta estar do lado do povo, lhe impõe restrições quase intransponíveis, permitindo aos políticos
imporem as suas decisões ao povo soberano. Há quem defenda esta situação alegando que se trata duma democracia
representativa em que o povo conserva o direito de protestar com greves, manifestações, etc. Belas palavras que
revelam que o povo pode fazer muitas coisas, mas é-lhe vedado o direito democrático que a própria palavra
democracia define, pois que qualquer acto governamental lhe é imposto e qualquer contestação lhe é vedada.
A própria constituição não prevê a prestação de contas à população pelos políticos nem pelos
magistrados e juízes. Porquê? Porque não se trata duma democracia no verdadeiro sentido. Pequeníssima é a
melhoria da presente constituição relativamente à de 1933, do Estado Novo, facto bem indicativo do progresso de
Portugal nessas mais de sete décadas. É uma impostura quando se nos afirma que Portugal é uma democracia. Melhor
dizendo, é um sistema oligárquico obscuramente mascarado de democracia. Numa verdadeira democracia, nenhuma
vontade oligárquica pode ser imposta a um povo, os desacordos negoceiam-se com honestidade para que se chegue
a um acordo, e isto não é o que se passa em Portugal. É esta a principal causa da quase inexistência de greves em
países que vivem uma verdadeira democracia. Em conclusão, dito isto, o sistema político em Portugal é uma paródia
de democracia que uma constituição apalhaçada submete às oligarquias e em que os políticos formam grupos oligárquicos que se
dispensam de dar contas ao seu único e legítimo soberano. Ainda em 10-12-05 José Sócrates, primeiro-ministro,
afirmou que os políticos só prestam contas à sua própria consciência. Nos outros partidos diz-se idêntico.
Qual consciência? Vamos também substituir os tribunais pela consciência dos criminosos para se julgarem a si
mesmos? Após o que temos observado através das acções dos políticos, em que serão eles mais credíveis que
qualquer outro cidadão, criminoso ou não, para se julgarem pelas suas próprias consciências? O que
nos admira é que da afirmação se depreenda que os políticos também têm consciência. Não é o que nos têm mostrado.
Também se ouvem os políticos e jornalistas, muito frequentemente chamar ao parlamento, ao governo, aos juízes e
alguns outros, “órgãos de soberania”. Que falsidade! Nos países democráticos, como é do conhecimento geral na
Europa, salvo em Portugal, onde à população tudo é escondido, sempre que se diz “soberano” está-se a fazer uma
implícita, indubitável e não interpretável referência ao povo e nada mais. O único soberano numa democracia é o
povo e não qualquer outra fantochada. Democracia ou fantochada de impostura? Que Portugal não é o único país com
um tal sistema, não é. Que mais uma vez se copia o que está mal, também.
A ideia de democracia tem sido deturpada e adulterada por políticos de todas as nacionalidades
e origens, tendo como único alvo justificarem as suas acções menos democráticas ou até, muito frequentemente,
oligárquicas e anti-democráticas, servindo-se do nome no seu próprio interesse oligárquico e egoísta. Com o
intuito de iludir as populações que governam e obterem os seus votos. Alguns exemplos desta situação vêm-nos
sobretudo de países que se proclamam exemplos de democracia, como os E.U.A., verdadeira oligarquia. Um mau
exemplo que tem sido frequentemente copiado sempre que de qualquer modo se sigam ou apoiem actos menos
democráticos. Ao longo do tempo tem-se mesmo constatado que os E.U.A. têm apoiado ditaduras (inclusivamente a
portuguesa e outras da América do Sul e do Golfo, como a Saudita e até Sadam Husein) desde que lhes seja conveniente. Facto evidente da falta de democracia,
repare-se bem, é ser precisamente nos países de sistemas políticos com deficiência democrática que mais se fala
em democracia. Na verdade, quanto maior a deficiência democrática, mais nela se fala; fala-se constantemente,
sobretudo a cada vez que os políticos queiram esconder ou justificar os seus procedimentos anti-democráticos. Em
países democráticos é raro falar-se em democracia: vive-se a democracia.
Não é evidente que em Portugal, os acontecimentos anti-democráticos se tornaram numa rotina e
tradição? Alguém poderá dizer o que há hoje em Portugal que seja mais democrático do que o sistema político e
governamental existente antes da implantação da república? Numa época mais distante, não foi sempre com o apoio
do povo que os reis de Portugal consolidaram o poder contra os nobres (os políticos de então)? Uma oligarquia,
representada pela família real contra outra, a nobreza. No século XIII, após se ter reforçado o poder real sobre
essa nobreza, não era já o povo pelo menos tão soberano ou mais ainda do que hoje, permanecendo todavia um forte
poder real? A consolidação do poder real absoluto nem sempre foi a melhor solução, a não ser quando isso evitava
a escravidão dos povos pelos nobres a fim de satisfazerem as suas ganâncias, características das forças
oligárquicas. Em tais circunstâncias, quanto menos forças se confrontassem menos o povo sofria. O poder absoluto
dos monarcas – embora hoje indesejável – foi, na idade média, por ser muito mais brando do que o da nobreza mesmo
quando conduzido a pulso de ferro, a melhor defesa dos povos contra os nobres gananciosos e esclavagistas dos
povos, salvo raras excepções, como na lenda de Robin Hood.
Afinal, voltando a tempos mais contemporâneos, que progresso democrático operaram políticos
que se dizem tão democráticos, durante os últimos 100 anos? Em 1910 a democracia foi abolida conjuntamente com a
monarquia. Embora nesse tempo existissem muitos verdadeiros democratas, seguiu-se-lhe um período de tumultos,
mortes, assassínios, vinganças e ajustes de contas sangrentos, completa anarquia, mesmo sem aludir aos casos mais
sangrentos. Depois começaram a aparecer as “mãos fortes” que venceram. Visto não haver outro modo de acabar
com os intermináveis e constantes tumultos, matanças e revoluções provocados por facções oligárquicas política,
formadas no período pós-democrático, as “mãos fortes” foram muito bem aceites por um povo que se tornara mártir
às mãos de políticos corruptos. Este sistema converteu-se numa ditadura que se iniciou com a maldição dos
políticos corruptos e com a aprovação quase total da população.
Este sistema perdurou tempo demasiado e em lugar de se ir transformando, modernizando e
democratizando, manteve-se igual a si mesmo e tornou-se num pesado fardo para o povo, o que foi uma enorme
desvantagem, tanto para o povo como para o próprio sistema. Foi isto, associado aos problemas coloniais, que provocou a sua queda, pois que se se
tivesse passado o que sucedeu em Espanha (raro exemplo a tomar do país vizinho), em lugar da Abrilada e mais
tarde da tomada de posse dos políticos corruptos bem piores que os de antanho, provavelmente estaríamos a viver
em democracia. (Espanha também não é uma democracia, só pode ser considerada como um estado colonial peninsular.)
Na História universal não existe nenhum caso que qualquer golpe que mude tudo radicalmente de um dia para o outro
com a melhor das intenções, com ou sem sangue, tivesse uma melhoria imediata: há sempre uma volta pare trás de
que os países levam décadas para recuperar. Porque havia de ter sido diferente com Portugal? Em 1910 já fora mais
uma desgraça a adicionar às outras. Pois, mas estúpidos não aprendem com a experiência. No entanto, uma
mudança conduzida como em Espanha produz resultados quase imediatos para melhor porque em lugar de reviravolta
instantânea apenas se mudam as regras políticas, o que fomenta o progresso. Provas? Basta abrir os olhos e
fechar os ouvidos aos políticos. Foi esta uma das causas do atraso
de Portugal. Por este motivo e apenas neste sentido, a Abrilada foi uma segunda desgraça para Portugal, muito
semelhante à de 1910. Apenas
políticos e jornalistas lucraram. Só a falsidade dos políticos pode negar os factos da História atrás citados. No entanto, ao fim de tanto tempo
decorrido, já deveria ter-se recuperado alguma coisa, mas a verdade é que os governos corruptos não só têm retido
o avanço como têm fomentado o atraso. Pouco antes da Abrilada, o atraso de Portugal em relação à média europeia
era de pouco mais de 20 anos. Agora, segundo o Eurostat, ultrapassa os 52! De que serve que os políticos o
neguem? E porque o farão?
Após este pequeno resumo, volta-se à questão formulada antes dele: Afinal, voltando a tempos
mais contemporâneos, que progresso democrático operaram políticos que se dizem tão democráticos, durante os
últimos 100 anos? O progresso só pode ser calculado relativamente. Como todos os países fazem progresso, o
progresso de qualquer país em particular só pode ser estimado em relação ao progresso conseguido pelos outros
países. Os progressos em Portugal durante todo esse período te tempo não se vêm, são só os políticos que o dizem para nos enganarem e votarmos neles! Com um povo tão ignorante
e carneiro têm-no conseguido, continuando a viver como parasitas e não produzindo nada que justifique o dinheiro
que recebem e regalias de que desfrutam. Se isto não é ser parasitas, que será então? O que mais espanta é os
jornalistas fazerem tanto alarido sobre não terem tido direito a falar e escrever livremente durante o tempo de
Estado Novo. Afinal, que se passa com eles agora que só falam lixo, não nos informam sobre as realidades da vida
e do país e continuam a encobrir os políticos? Para que nos serviu a nós a liberdade de imprensa? Não se
assemelha isto ao ditado “é dar pérolas a porcos”?
Em conclusão dos três parágrafos anteriores, deve sublinhar-se que em 1910 tínhamos uma
verdadeira democracia do tipo progressivo, relativamente aos outros países europeus e como tal considerada e
reconhecida. Só quem mentir e nisso tiver interesse o pode negar. Hoje temos uma paródia de fantochada de que uma
oligarquia formada por políticos se serve como de costume se servem todas as oligarquias e que faz de conta que é
uma democracia para continuar a nela satisfazer as suas ganâncias, egoísmos e actos de pura malvadez que levaram
a população ao estado em que a colocaram e hoje se encontra
Se reflectirmos apenas um pouco sobre a organização dos partidos nacionais (mesmo tendo eles,
na sua maioria, uma raiz internacional) vemos que são organizados como clãs (ou grandes famílias), que os
políticos que os formam compõem como que grandes famílias, clãs. O conjunto dos partidos (dos clãs) pretende
formar uma elite e na verdade forma uma facção poderosa que domina os governos e o Estado. Não corresponde esta descrição
exactamente com a realidade política em Portugal? Se assim é, despertemos, pois que o sistema político português
não é uma democracia, visto que corresponde em perfeição à definição de oligarquia. Não nos enganem mais com
jogos de palavras. Tem sido com bastante êxito que os políticos têm tentado anestesiar e embrutecer a população
com o único fito de dominaram o verdadeiro e único soberano, enriquecendo-se ilicitamente em nome duma democracia
que eles próprios transformaram em oligarquia.
De notar que um sistema oligárquico não se limita a uma só oligarquia, apenas possível numa
ditadura, em que a classe predominante é a única oligarquia.
Assim, a oligarquia portuguesa não poderia fugir à norma. Em torno das oligarquias de 1º nível, formadas pelos
partidos políticos, formaram-se outras, umas tão poderosas, como as dos juízes e magistrados e outras – digamos de
2º ou 3º nível – como a dos funcionários judiciais e dos funcionários administrativos. De notar especialmente é a
arrogância geral que grassa entre estas camadas da sociedade portuguesa, injustificável e inexistente em
qualquer democracia de verdade e não nesta fantochada a que apenas os interessados ou os ignorantes se aventuram
a classificar como democracia. Em qualquer democracia europeia qualquer pessoa fala normalmente com tais
personagens que em Portugal se julgam entronadas, intocáveis e herdeiras dos que em tempos nefandos de antanho
evoluíam pelos tribunais da Inquisição.
[ Sumário ]
De tudo o que acima fica, poucos são os cidadãos portugueses que estejam ao corrente. Muitos
discordarão por tomarem a realidade democrática vivida noutros países como uma utopia irrealizável, tal é a
profunda ignorância que lhes foi insuflada sobre estes assuntos, tanto por políticos como por jornalistas. Outros dirão que em Portugal é diferente e não se pode fazer
assim. Pois não, por um lado o povo não tem conhecimentos nem preparação democrática para compreender e exigir
aquilo a que tem direito mas só com luta alcançará, por outro lado são os políticos não o querem porque não lhes
convém visto que o poder lhes seria tirado para ser entregue a quem pertence, ficariam sem domínio na maioria da
corrupção que dirigem e sem a maioria dos tachos que criaram para eles e para os amigos a quem os cedem, geralmente
por cunha. Certo é também que a Abrilada, ao passar para as mãos de políticos corruptos e gananciosos (políticos
do 26 de Abril, como muito bem diz Manuel Alegre), foi por eles usurpada, afastando o povo do poder, impingindo
ideias falsas de democracia fantoche impedindo a formação dos conhecimentos. Por demais, esta situação criou
falsos princípios e ideias, formou um povo inculto, incivilizado a ponto de quase bárbaro, em que se cultivaram
sentimentos animalescos primários, como a ganância, o egoísmo e não de humanos civilizados; a ideia retrógrada e
estúpida de que a democracia dá a cada um tem todos os direitos, ninguém tendo qualquer obrigação para com o
próximo (máxima da incivilidade e do atraso cultural), quando a democracia é precisamente o contrário.
Esta situação da ignorância do povo português, imposta por políticos & jornalistas, encobrindo
a realidade nacional, europeia e mundial, impedindo assim comparações baseadas num verdadeiro conhecimento de
causa pela parte dos cidadãos, apenas no fito maligno de manterem a população sob jugo, arrancando-lhes os votos
por burla, tal como mencionado no parágrafo anterior, tem uma prova num resultado por todos conhecidos, ao qual
também se esconde a causa, claro. A ânsia febril de quase todos os emigrantes em construírem ou comprarem uma
casa nas suas aldeias é do conhecimento absoluto por todos os canto do país. Também é igualmente conhecido o
facto de que na sua maioria essas casas de emigrantes estão quase todas desocupadas. Porquê, quando muitos deles,
já não muito novos, já deveriam estar de volta segundo os seus próprios cálculos de quando construíram as suas
casa? Simples, há duas razões que também já começam a ser do conhecimento geral. A primeira é que eles queriam
voltar com os filhos, mas tendo estes crescido em regimes democráticos, não há nada quem os convença a virem
enterrar-se num país de vigaristas, corruptos e ladrões parasitas, onde democracia e liberdade são palavras
gastas pelo uso, mas que não passam de “attrape-nigauds” (armadilha para tolos), como dizem os franceses,
armadilha dos políticos para subjugar um povo. Eles sabem que em Portugal não existem democracia nem liberdade, o
atraso mental é enorme, a miséria intelectual é avassaladora. Tendo crescido e vivido noutra coisa muito
diferente, como poderiam habituar-se a passarem assim de cavalos para burros. Só se fossem doidos, mas não são e
ninguém os convencerá a virem para um país-lixo. Nem menos os pais, ou melhor, muito menos os pais porque acham
que eles têm razão e até eles mesmos há muito começaram a reflectir sobre o erro de construírem uma casa num país
onde não querem passar mais do que férias. É esta a segunda razão porque os emigrantes não voltam nem mais
voltarão (como em tudo existem sempre excepções). Claro que vemos e ouvimos reportagens de televisão com
entrevistas aos emigrantes, sobretudo efectuadas ao atravessarem as fronteiras. As palavras dos emigrantes são as
que talvez o coração lhes dite, não vêm da razão do cérebro nem eles têm procedido nem poderão proceder dessa
forma enquanto Portugal for aquilo que é. Muitos dos emigrantes doutros países voltam às origens, mas não os
portugueses, que de miséria (em todos os aspectos) estão eles fartos.
Mesmo que um dos ditados mais conhecidos em todo mundo e que afirma que “cada povo tem o
governo que merece”, a culpa, neste caso preciso, não pode ser apenas dos cidadãos. Na realidade, dois factores
foram responsáveis pela ignorância geral vivida no país. Um é a questão de terem sido os socialistas os autores
do progresso social e económico dos países europeus mais desenvolvidos. Este facto torna-se naturalmente
incompreensível quando ao analisarmos o partido socialista português e o comparamos aos seus homólogos dos países
desenvolvidos europeus, constatamos que, para além do nome e da ideologia de base pouco há realmente de comum
entre o partido português e os outros. Afinal não passa de um partido como os outros partidos portugueses,
norteando-se pela ganância dos seus militantes, o desejo de se servir do país em lugar de o servir, etc., etc.
Todo isto não pode deixar de produzir uma grande incredulidade quando se afirma aquilo que nos outros países é
bem conhecido sobre os socialistas, tal como atrás foi citado. Foram os partidos socialistas que formaram a
riqueza das monarquias escandinavas, o bem-estar, a segurança, o progresso, o avanço tecnológico, tudo, enfim,
que faz desses países aquilo que são, os exemplos vivos das democracias modernas europeias. Pergunta-se: que fez
o partido socialista de comparável em Portugal? A resposta é um não chapado: limitaram-se a glorificar-se com os
louros dos seus homólogos nos países avançados. Infelizmente, não servem no entanto estas verdades para permitir
que se pense que os outros partidos portugueses sejam melhores. O outro factor responsável pela ignorância geral
sobre o assunto é isso mesmo: a ignorância em que a população portuguesa é mantida tanto por políticos como por
jornalistas coniventes. Número incalculável de factos importantes é literalmente ocultado e disfarçado por essas
duas trupes de impostores. Repete-se mais uma vez que nem todos (tanto políticos como jornalistas) se podem meter
na mesma panela, mas esses, infelizmente, não passam das excepções que nos provam precisamente a existência da
regra, portanto, da generalidade. Alguns casos de destaque por mérito especial são mencionados neste site e
evidentemente, não são os únicos. Nem todos são mencionados pela simples razão de que a finalidade deste site não
é a de fazer uma lista dos bons jornalistas e políticos e outra dos imundos.
Reflictamos ainda sobre um ponto relacionado com estes tópicos. Quantas vezes temos ouvido
políticos dizerem-nos a verdade sobre eles? Quantas vezes temos observado os grandes meios jornalísticos falarem
sobre democracia e contarem-nos como se passa nos países democráticos? Será que ambas as partes se arvoram o
direito de nos esconder como se procede nesses países verdadeiramente democráticos por não nos julgarem
suficientemente civilizados e preparados para vivermos numa verdadeira democracia? Talvez não seja falso, mas não
era o que já dizia Marcelo Caetano? Desde há muito que os políticos e os jornalistas de hoje, precedentemente
Marcelo Caetano, aparentam ter a mesma opinião, no mínimo de acordo com os seus procedimentos. Em qualquer dos
casos incorrecta. Das duas uma: ou ambos estão certos, ou ambos estão errados. Nenhuma destas partes pode certa
se a outra estiver errada.
Que os políticos nos encubram o que se passa nos países democráticos não é honesto, mas
fazem-no por interesse próprio (egoísta), na óbvia intenção de esconderem a corrupção e se protegerem do
julgamento do povo, de continuarem a ser eleitos ou reeleitos, continuando assim a explorar a ignorância e a
viverem à custa dela, quais parasitas. Se os grandes meios jornalísticos o fazem não é só por estarem nas mãos de
magnatas que defendem os seus interesse financeiros. Infelizmente, grande parte dos jornalistas de hoje,
sobretudo os mais novos, que nasceram e cresceram neste género de ambiente corrupto e a ele estão aclimatados
julgam que “assim é que é, assim é que está bem”. Nunca tiveram contactos verdadeiramente democráticos nem
educação democrática. São como animais selvagens domesticados, incapazes de viver na natureza. Todavia, não lhes
pode isso servir de desculpa, pois que a sua profissão implica o conhecimento e a investigação da verdade e da
realidade a que eles, assim doutrinados, desclassificam e não atribuem o seu valor real. Embora algumas vozes
entre eles se levantem contra a situação, há ainda outras razões que levam os jornalistas
a esconderem os feitos dos políticos.
[ Sumário ]
Há vários factos bem reveladores da vida política portuguesa. Quase todos são camuflados por
políticos e jornalistas. Alguns são gritantes, mas quando eles a eles se referem querem justificá-los de modo que
lhes convenha, que não denuncie a sua ignóbil natureza e que pelo contrário, aparente demonstrar nobreza de
sentimentos (que falsidade!). As mulheres são afastadas da política pelos políticos
machistas, por uma cultura machista, ou por qualquer outro motivo do género, como se quer fazer parecer, ou será
por qualquer outra razão de ordem muito diferente? Não ocupam elas, em Portugal, muitos outros cargos e lugares
que até na maioria dos países da Europa é desempenhado quase exclusivamente por homens? Nas as vemos também nas
Forças Armadas e na polícia num número não só bem acima da média dos outros países da Europa, mas até acima de
qualquer outro? Então porque é que se
afastam elas assim da vida política? Não parece ser pelos motivos que os políticos nos querem fazer acreditar,
visto que numa enorme maioria de cargos elas superam os homens em número. Mentem-nos, portanto os políticos, como
de costume. Que admiração! Que excepção! De certo que, com de costume também, não o fazem sem uma razão.
Ninguém afasta as mulheres dos cargos políticos, afastam-se por si mesmas. É uma questão simples que tanto os jornalistas
como os políticos conhecem perfeitamente, mas que para encobrir o motivo nos ocultam propositada e maliciosamente. Tudo que possa afectar os políticos se esconde e se nega. A mentira, a falsidade, a impostura, a
ganância e os outros ingredientes e qualidades que formam e compõem o ambiente político são muito mais contrários
à natureza feminina do que à masculina. Este facto não é devido a nenhuma formação a que as pessoas sejam
submetidas, ou melhor, a formação pode corrigir a natureza, mas foi a própria natureza que dum modo ou de outro
talhou em grande parte as características femininas, tal como as masculinas.
No aspecto aqui em causa, foi o modo de vida dos humanos através dos milhões de anos de
evolução da
espécie que produziram essa diferença. Nos humanos, como na maioria dos mamíferos, são quase sempre as fêmeas
quem se ocupa das crias, o que as obriga a dedicar muito mais tempo a essa tarefa. Como os humanos são de todos
os animais aqueles que durante mais tempo precisam dos cuidados maternos, isto sempre ocupou a maioria do tempo
das fêmeas. Se entramos ainda em linha de conta que tendo sido a esperança de vida muito mais curta no passado e
que o tempo de fertilidade era aproximadamente o mesmo de hoje, facilmente nos aperceberemos de que as mulheres,
durante milhões de anos, passavam quase toda a vida prenhas e a criar os filhos. Em consequência, pouco era o
tempo que lhes poderia sobrar para outras tarefas essenciais à vida e à própria existência, como caçar, cultivar
e comer. A cultivação veio a ocupar muito tempo das mulheres por ser uma tarefa que quase sempre lhes deixava a
oportunidade de terem os filhos por perto, mas mesmo esta tarefa só pode ter surgido depois dos humanos começarem
a cultivar a terra, há cerda de dez mil de anos, na antiga Mesopotâmia, acontecimento relativamente recente na
história do Homo Sapiens Sapiens. Eram os homens quem saía à caça e a colher os frutos para a família se alimentar e cobrir. Sempre assim foi, como já tinha sido com todas as espécies de humanos que existiram
antes da nossa. Foram sempre eles quem caçava, sós ou em grupo, quem com os outros estabeleciam acordos,
discutiam e se disputavam, com eles ou contra eles travavam batalhas, assaltavam, pilhavam e matavam, enfim tudo o necessário para
subsistir na vida selvagem. Só “ontem”, com a revolução industrial, as mulheres começaram verdadeiramente a
trabalhar fora de casa. A natureza e as circunstâncias talharam assim o carácter da mulher ao longo de milhões de
anos, ao ponto de lhe inculcarem essas características nos próprios genes. Com os outros animais passa-se
geralmente do mesmo modo. As características de cada um são consequência do seu modo de vida particular. A
maioria das fêmeas não humanas dedica menos tempo de vida à procriação, visto que, em geral, a fêmea também caça
e participa noutros actos necessários à subsistência, sobretudo aquelas que criam os filhos sós.
Que de admirar que as mulheres, fêmeas humanas, não tenham as mesmas disposições que os
homens, machos da espécie, para coisas com que
raramente lidaram ao longo de toda a existência da espécie, que algumas dessas coisas lhes pareçam até repugnantes. E que em Portugal o
são, embora, infelizmente não seja caso único.
Esta explicação parece demasiado
longa, mas se não fosse suficientemente elucidativa haveria certamente quem quisesse contrariar a razão e tentar
provar o contrário. A razão do repúdio da política pelas mulheres é bem conhecida nos outros países. Toda a gente
o reconhece. O facto verifica-se todavia, de modo mais acentuado nos países onde os políticos tenham um comportamento semelhante ao dos
portugueses, como em Itália, França, Espanha e Grécia. Comprovado pelo contrário, como sucede nos países mais
democráticos com muito menor corrupção, de que as monarquias socialistas do norte da Europa são um exemplo vivo.
Resta, todavia, algo a acrescentar sobre outra demonstração destes factos exprimida pelo
comportamento das mulheres. Não é de espantar para os portugueses, tal como o é para turistas e outros
estrangeiros, que cerca de 90% das portuguesas usem calças e pintem o cabelo? Os estrangeiros acham que tal facto
só se pode dever a um grave problema que de personalidade. Segundo eles, o facto de tantas mulheres pintarem o
cabelo de outra cor deve-se a complexos derivados da sua insatisfação geral, frustrações e outras causas do mesmo
âmbito. Não podendo dominar a origem destes males, sofrem-lhes as consequências.
Outro problema do subconsciente das mulheres portuguesas é a incapacidade dum tão grande
número de entre elas em atingir um orgasmo. É bem evidente que a origem deste acontecimento é ainda a mesma da do
parágrafo anterior. Muitas disfarçam quanto podem e até na sua relações do dia a dia com as outras pessoas em
geral. assumam comportamentos de extrema à vontade mas que geralmente mais não são do que complexos de
superioridade inconscientemente criados como forma de luta contra os seus problemas. Um exemplo vivo é o
comportamento da Manela Leiteira, o qual – longe de lhe criticar algo que a atormenta – lhe criou um complexo que
faz dela uma mulher meio homem.
As mulheres passaram a quase totalidade da existência da espécie a
criar os filhos, verdadeiros actos de protecção e de amor. Como lutar agora com falsidade, impostura, mentira,
perversão e mais? Não é que as mulheres sejam umas santas, mas um curriculum de milénios pesou sobre a sua
formação psicológica e moldou-as diferentemente.
A questão parece bem simples de compreender. Donde a conclusão
óbvia daquilo que nos escondem com a única intenção possível de nos fazerem acreditar em que a maioria dos políticos são
honestos.
A proporção da participação das mulheres na política em qualquer país revela-nos, pois, o estado de
civismo dos políticos desse país. É certo que em nenhum país essa participação atinge os 50%, Os Estados Unidos,
por exemplo, revelam-se assim um exemplo flagrante da desonestidade e dos políticos. A quase ausência das mulheres na
vida política portuguesa e o seu quase completo desinteresse são apenas mais
provas evidentes do modo como a política é dirigida em Portugal. Alguns governos têm tentado impor normas e
regras para estimularem, segundo eles, uma maior participação das mulheres na vida política. Como se fossem
regulamentos nesse sentido que resolvessem o problema criado pela maneira como os políticos se comportam. É uma
solução comparável a receitar um medicamento para o fígado quando o doente está tuberculoso! Apenas uma mudança
nos costumes incivilizados dos políticos poderá ajudar a resolver o problema. Ou a pressão exercida pela
população. Todas os outros artifícios mais não
são do que isso, artifícios destinados unicamente a defender o comportamento dos culpados, enganando a população por métodos
mais uma vez ignóbeis e desprezíveis
O modo como este facto nos é escondido é a
confirmação dessa prova e mais um testemunho sobre políticos e jornalistas.
[ Sumário ]
Em conclusão, embora tudo seja encenado a fim de que Portugal aparente ser uma democracia e
como tal o seu sistema político seja tomado, a realidade é que está muito longe de satisfazer as condições
necessárias para que o seu sistema político possa ser definido pela palavra “democracia”, isto tanto
filologicamente como tradicionalmente como em realidade. Portugal não é nem pode ser considerado uma democracia.
Só os políticos ou outros a quem tal situação favorece e que dela tiram proveito ilícito podem fazer tal
afirmação com falsa convicção. Quanto mais os políticos bradam em afirmá-lo, mais mentem. Está longe de ser o
único país nessas condições; porém, tal facto não serve de pretexto, nem de desculpa, nem de perdão. É um embuste
com que nos enganam como, aliás, muitos outros, para nos arrancarem os votos de que necessitam para perpetuarem o
logro que só favorece parasitas impunemente, que têm mostrado amplamente o seu desinteresse e nada fazerem pelo
progresso do País. Que fizeram com as montanhas de dinheiro dos fundos europeus, que atingiu os mais de cinco
milhões de Euros por dia? Quem responde em defesa da podridão? Não são estas palavras vãs, mas apoiadas por
factos amplamente divulgados em todo o mundo, alguns históricos. Não é portanto significativo que os portugueses
os ignorem por lhes terem sido propositada, interesseira e malignamente escondidos. A manutenção do povo na
ignorância remete o poder dos cidadãos às mãos de políticos corruptos, gananciosos e oportunistas.
Não há dúvida de que se o povo português quiser viver numa democracia terá que deixar de se
queixar com ladainhas infrutíferas. Há que tomar medidas eficientes a fim de pôr cobro à ganância e à parasitagem
política, impedir que os políticos façam o que o País não quer e obrigá-los a fazer o que quer e tanto necessita.
Pôr cobro também a uma justiça de palhaços e substitui-la por algo eficiente, justo e útil.
[ Conteúdo ] [ Sumário ]
parte anterior foram já feitas algumas comparações entre uma verdadeira democracia e
“aquilo” que rege Portugal. Não era a intenção, mas tornou-se cómodo por se estar já no assunto. Não é, pois,
assim necessário, repetir nesta parte a maioria desses casos, ainda que seja aqui que eles deveriam ter sido
colocados.
Antes de se fazer um paralelo entre as verdadeiras bases da democracia abordadas precedentemente
e a realidade em Portugal, é útil que se analisem os conhecimentos dos portugueses sobre democracia e política um
pouco mais em detalhe. A noção destes dados permitir-nos-á compreender as diferenças ao traçar esse paralelo,
assim como o porquê dessas diferenças.
[ Sumário ]
Em Portugal, a enorme maioria dos cidadãos julga ter conhecimentos políticos e saber como
votar, mas não tem uns nem sabe como. Esta afirmação deve soar monstruosa aos ouvidos
de muitos, por infundadamente se considerarem profundos conhecedores, mas é a triste realidade e tem a sua origem
e razão de ser.
Desde que a democracia deu lugar à anarquia, em 5 de Outubro de 1910 e que o país foi salvo
dela pela ditadura, em 28 de Maio de1926, os conhecimentos políticos da população foram-se desvanecendo e caindo
em desuso em sequência desses acontecimentos.
[Dizer que o país foi salvo da anarquia pela ditadura, pode hoje parecer uma blasfémia.
Sobretudo quando se tem procurado desvalorizar a totalidade do que precedeu a Abrilada pela única razão de que
era anterior e de que se era anterior era indubitavelmente mau. Estúpido preconceito, como a maioria dos
preconceitos. No mínimo, reconheçamos que as generalizações
frequentemente conduzem a erros de interpretação. Todavia, dadas as circunstâncias e a conjuntura da época, assim
como os acontecimentos que as acompanharam, a ditadura foi não só a possível, mas também a melhor salvação. A
total falta de segurança, os contínuos distúrbios, as conspirações, os motins, a desordem abrangente e sem fim, os
tumultos e a confusão, a sedição, tudo isto não só politicamente mas pior, entre famílias e indivíduos que “por dá
cá aquela palha” se matavam, uma justiça que se tornou inoperativa ainda mais do que a presente, a frequência de
assassinatos (incluindo o de Sidónio Pais, um bom presidente da República, ainda que não eleito democraticamente),
não podiam mais continuar. Dezasseis anos de anarquia chegaram para convencer todas as pessoas sensatas, honestas
e honradas, de que medidas drásticas se impunham. Note-se bem que por isto o sistema ditatorial mereceu e
obteve o apoio geral da população, que o recebeu de braços abertos, facto inegável que atesta a extenuação do
povo, o desejo geral de acabar com a situação anárquica que sucedeu o fim da monarquia democrática e em que não
queriam nem podiam continuar a viver. A popularidade e o entusiasmo inicial pelo novo regime aumentou ainda quando
Salazar conseguiu tornar a encher os cofres esvaziados pelos anárquicos desde 1910, impulsionar um certo progresso
e bem-estar, e operou uma consolidação geral. O mal foi que aquilo que deveria ter sido um estado transitório para
voltar a um sistema político democrático, tornou-se numa ditadura de carácter permanente. Note-se ainda que, na
altura, foram os políticos a primeira causa da situação anárquica, devendo-se pois, culpá-los por ela, pelo
aparecimento da ditadura e de todas as consequências funestas originadas pelo seu comportamento e medidas
necessárias para o impedir. Foi também por isso e por nada mais que as manifestações políticas foram suspensas e
proibidas. Para tudo existe uma razão e agora querem-nos mentir, ocultando-a ou substituindo-a por falsas razões.
Boa ou má, quer convenha ou não, a verdade deve ser sempre aceite e reconhecida; só seres desprezíveis com o
intuito de moldarem a verdade às suas conveniências ilícitas podem contrariar este princípio, fundamento, mesmo,
da História. Havia uma monstruosa anarquia que a todos sem excepção prejudicava e revoltava; encontrou-se uma
solução que devolveu a tranquilidade, a justiça e a paz necessárias à vida; portanto, o povo aprovou e apoiou. E
continuou a apoiar por cerca de mais duas décadas. Em seguida estava farto, mas foi difícil de a ab-rogar. Que de
mais simples e verdadeiro? Para quê mentirem-nos agora, afirmando que ninguém quis a ditadura desde o princípio?
Aqueles que não presenciaram pelo menos uma parte do meio não conhecem e são presas fáceis das historietas falsas
que convêm a meia dúzia de corruptos. Se o fazem não será por inocência. Sorte foi o início dessa ditadura ter
sido bastante suave. Azar foi ela ter durado demasiado tempo. O certo é que a ditadura salvou o País da anarquia e
isto é um facto axiomático. Por isso que nisso não se fala ou se se fala é para o negar. Não esqueçamos o
velhíssimo ditado que explica que A história é escrita pelos vencedores, sempre. Os escritos diferentes só
podem aparecer muito tempo depois.]
A população desligou-se assim da vida política e foi-se lentamente esquecendo do que era
participar nela e como lidar com os políticos. Embora durante a maior parte dessa era se votasse (em plena
oposição ao que os políticos de hoje nos mentem com o óbvio intuito de se armarem em nossos salvadores), pelo
menos até ao caso do General Humberto Delgado – cujo caso teve origem precisamente nas eleições – a verdade é que,
devido ao sistema, não adiantava muito em quem se votava, pois tudo vinha sempre dar ao mesmo. [Não parece haver
aqui um certo reflexo do que se passa actualmente?] Donde as pessoas se esqueceram de como
votar significativamente, demonstrando os seus desejos.
Também é certo que existia uma disciplina, já nos liceus, intitulada Organização Política e
Administrativa da Nação (ou algo semelhante), mas nada de útil se aprendia no sentido aqui tratado. Estranho é
constatarmos que – hoje também – se os políticos e os partidos no governo mudam consoante as eleições, ainda assim
tudo continua a vir dar ao mesmo… Porque após a Abrilada houve muitas mudanças menos nos políticos. Neste aspecto,
tudo o que aconteceu não passou duma facção substituir outra. Algumas coisas melhoraram. Outras pioraram, muitas
continuam tal como dantes, tendo apenas mudado de aparência ou de nomenclatura. Uma destas últimas é precisamente
a conduta dos políticos e o seu comportamento em tudo condizendo com os duma ditadura, mas pior, porque agora se
protegem sob o manto da paródia da democracia, coisa a que anteriormente não se atreviam. É evidente que os
políticos souberam aproveitar-se da ignorância políica dos portugueses para os enganar convencendo-os de que
viviam em democracia, quando todos os princípios de base duma democracia não passam duma farsa (confira-se em
Bases da Democracia e A Democracia em Portugal).
A falta de conhecimentos de democracia da parte dos cidadãos tem origem no seu desconhecimento
tanto sobre a histórica da democracia clássica grega, como uma democracia moderna do tipo europeu é organizada, de
como ela funciona nesses países, qual a função dos políticos e a comparticipação dos cidadãos, de como os
políticos dão conta das suas acções e decisões aos cidadãos, etc. Também não têm ideia de como
votar para obter o que pretendem dos políticos. Esta actual falta de conhecimentos
não se deve a nenhum acaso do destino, foi programada, engendrada, lentamente ensaiada, posta em prática e
aplicada à população em geral, pelos interesses egoístas de políticos gananciosos e corruptos, com a ajuda e
conivência de jornalistas não menos culpados. O problema é tão grave que a maioria da população está convencida
que os simples factos de haver uma constituição e de se votar livremente são suficientes para se atestar que se
vive em democracia. Que logro maior poderia haver?! As ditaduras também podem ter constituições, tal como a nossa
tinha, sendo a última a de 1933. Nas ditaduras também por vezes se pode votar, como se pôde durante quase todo o
tempo da nossa. Mas não era uma democracia, pois que faltavam outros requisitos. Tal e qual como agora. Sem a
existência desses requisitos não existe democracia, é uma farsa que serve facções oligárquicas que podem
simultaneamente apoiar-se e disputar-se, podendo ainda fomentar e manter outras oligarquias de apoio. Como
exemplos, no primeiro caso temos os políticos, no segundo, aqueles que compõem os tribunais e as magistraturas. Em
todas as circunstâncias não pode haver democracia em que os governantes, juízes e magistrados não prestem contas
das suas acções ao povo soberano. Esta é a pedra basilar de qualquer democracia, seja ela qual for. Podemos
verificar que até em pseudo-democracias fantoches como na dos Estados Unidos, os políticos, os juízes e os
magistrados fazem a parte de prestarem contas ao povo. Os juízes são eleitos e os políticos com cargos nos
governos estatais fingem querer satisfazer as exigências da população, porque essa população conhece a maioria das
obrigações dos políticos.
Em Portugal nem isto se encena, é muito mais simples, começou-se – e assim se tem insistido em
continuar – por encobrir o que é uma democracia, que os governantes têm a obrigação de prestar contas ao povo
soberano, que esse povo soberano tem o direito de discordar e de revogar decisões dos governantes, que os
governantes representam o povo soberano, mas não o substituem quando este não o quer, mesmo que por ele tenham
sido eleitos. Tudo se tem encoberto com mentiras e com a participação dos jornalistas não revelando senão
fantochadas e scoops, mantendo o povo soberano na escuridão da ignorância, não só a este propósito, mas em todos
os campos que com ele se relacionem e que possam afectar os políticos. As entrevistas em que os jornalistas
pretendem aparentar agressividade, são em geral encenações. Tal procedimento não se torna necessário a fim de se
obterem as respostas que se pretendem. Há muitos exemplos do primeiro caso. Há alguns do segundo, como Fátima de
Campos Ferreira ou Hernâni Carvalho. Sem espalhafato de atrasados mentais, perguntam o que querem e obtêm
respostas elucidativas. Sabem falar, expor, obter e informar. Não são os únicos, mas são exemplos da honestidade,
do profissionalismo e da competência, assim como de tantas outras qualidades profissionais e pessoais que faltam a
esmagadora maioria dos seus abandalhados colegas. Todavia, como a maioria é que tem mais força, a ajuda dos
jornalistas tem sido duma preciosidade fundamental para manterem a população na ignorância que lhes convém. Esta
ignorância abrange todos os campos, evidentemente, inclusivamente o da instrução, em
que grande parte dos cursos dos senhores doutores nem têm reconhecimento de equivalência nos países avançados
europeus.
Para um melhor funcionamento político nacional torna-se imprescindível um notável e profundo
incremento de conhecimentos políticos e de educação político-democrática dos cidadãos em geral, assim como o
conhecimento do que na realidade se passa no país em lugar dos barretes distribuídos pela maioria dos jornalistas.
Aqui, também, “conhecimento” parece ser a palavra chave. Sem estes dois requisitos, como avançar se o povo
soberano que deve tomar as decisões não tem base de conhecimentos para o fazer? Parece que sobre o primeiro
requisito alguém já disse qualquer coisa semelhante… Não teria sido Marcelo Caetano? Se foi, note-se que à pressa
nada sai bem (alguém quererá ter um filho em quatro meses e meio?). Se não foi ele também não importa, o que
importa mesmo é que, infelizmente, o tempo, com a ajuda de políticos corruptos e de jornalistas coniventes,
provou-o.
[ Sumário ]
Em Portugal, os cinco pilares básicos duma democracia (para além da organização política
tratada anteriormente), como se verificam nos outros países europeus, são desprezados pelos políticos e não
funcionam devidamente, tendo um efeito pernicioso, simultaneamente contra o povo soberano e contra a democracia.
Uma pretensa democracia em que os seguintes pilares básicos de serviços de apoio social não funcionem, mais não
pode ser considerada do que uma palhaçada de néscios: Instrução, Saúde, Justiça, Segurança Social e
Comunicações. Analisá-las-emos por separado, mas podem-se já resumir. Infelizmente, se estes são os pilares
da democracia que não funcionam em Portugal, muitas outras contrariedades à democracia se podem ainda focar, das
quais apenas analisamos algumas. Convém, porém, primeiro, lembrar que a razão que origina o desinteresse dos
políticos por estes pilares da democracia é precisamente por Portugal, não sendo uma democracia, os políticos não
sentirem a necessidade de satisfazerem as necessidades democráticas do povo, seu soberano. Se não o fizerem, o
povo soberano não exerce a sua soberania contra eles. Daí que o primeiro requisito numa oligarquia é a facção que
ostenta o poder dominar o seu verdadeiro e único soberano: o povo.
[ Sumário ]
A instrução, por um lado continua a formar inúteis com cursos que para nada servem, nem aos
formados nem à sociedade, por outro não fornece os cursos necessários. Um exemplo clarificante foi a decisão
Cavaquial de diminuir drasticamente o número vagas nas faculdades de medicina, consequência que só se poderia vir
a sentir quando os novos médicos tivessem terminado os seus cursos e estágios. Foi o que aconteceu, pois toda a
gente sabe o que se passa actualmente com a enorme falta de médicos. Como mezinha, contrataram-se médicos
estrangeiros. Deve-se reconhecer que, no fundo, esta medida não foi má, porque se os médicos portugueses procedem
como se nas suas faculdades não tivessem aprendido que a profissão de médico é sobretudo de natureza humana –
coisa que demonstram não compreenderem devido ao seu comportamento ou a falta de princípios – pelo menos os
médicos estrangeiros têm mais e melhores qualidades humanas. Além disso, pelo que toca aos espanhóis, muitos deles
estão desejando vir trabalhar para Portugal. Enquanto que país mais miserável da Europa, em consequência de
ser aquele com a maior falta de democracia, o que o coloca num caso à parte, onde as diferenças entre ricos e
pobres é de longe a maior. Isto inclui as descomunais diferenças entre altos e baixos salários. Daí que os médicos
tenham salários bem superiores à média europeia e à praticada em Espanha, o que não pode deixar de atrair os
médicos espanhóis.
Se a medida Cavaqueira citada no parágrafo anterior põe em cheque a situação da saúde nacional
por falta de médicos, outra medida inteligente de mesma proveniência, mas em sentido contrário e de efeito
divergente, foi a de não limitar as vagas dos cursos de direito. Em 1996 havia em Portugal tantos advogados como
na Alemanha, como a população alemã é de cerca de oito vezes a portuguesa, significa que, proporcionalmente,
existiam em Portugal oito vezes mais advogados do que na Alemanha. Como quase dez anos passados nem uma mezinha
foi feita para remediar a situação, há hoje, sempre proporcionalmente, cerca de dez vezes mais advogados do que na
Alemanha. Isto tem verdadeiramente desgraçado a profissão, mantendo estes infelizes numa situação incremental de
procura de trabalho autenticamente paranóica. No intuito de encontrar um paliativo a esta situação, a Ordem dos
Advogados, que já designava os advogados para o Apoio Judiciário da Segurança Social, mas admitia que um apoiado
escolhesse o seu advogado, passou a impô-los, não permitindo que se possam escolher, mesmo em casos em que o
apoiado tenha processos em curso com outro advogado. Isto significa que a intenção da Ordem em “dividir o mal
pelas aldeias” se traduziu numa situação em que quem tenha vários processos em cursos terá também vários
advogados, correndo assim de escritório para escritório, como um tarado à procura do dia de ontem. Inteligente,
não é? Sobretudo com um vincado cunho de sentido humanitário para com os apoiados assim desapoiados! É assim que
qualquer dirigente procede em Portugal. Sobretudo, com a tradicional impunidade total garantida abrilesca, que
como Manuel Alegre diz, juntamente com a recusa de aceitação de responsabilidade se tornou uma tradição.
É ainda de assinalar que a instrução, a educação, a formação cívica e mental compõem um conjunto
que é o segundo motivo da miséria geral, intelectual e financeira em Portugal. Este conjunto, acoplado ao primeiro motivo
da desgraça que o país vive, forma com ele uma barreira intransponível. Freitas do Amaral é um dos poucos políticos
honestos que teve a coragem de o afirmar. Tentou todavia pôr mais peso nesta questão e aliviar o problema causado
pela primeira causa, a má administração e corrupção na aplicação e uso dos fundos comunitários. Tal como ele
disse, mas embora interpolando as importâncias dos dois motivos, como atrás se nota, se os conhecimentos e o
comportamento individual dos portugueses não mudarem jamais haverá progresso. Como frequentemente notado, tanto
neste documento como neste site, esta mentalidade que originou o comportamento de orgulho infundado, criticado
por Freitas do Amaral, tem sido traiçoeiramente inculcada no pensamento da população por políticos corruptos e
pelas razões também explicadas. Se fosse esta a causa principal da miséria, como Freitas do Amaral afirma, em
nada atenuaria a culpa dos políticos, apenas transferiria uma parte da culpa no uso corrupto dos fundos
comunitários para este ponto. Dum modo ou doutro, isto não muda praticamente nada à situação nem às afirmações de
Freitas do Amaral. Compenetremo-nos, a culpa da nossa miséria, tanto mental como económica, não tem outra fonte
senão a dos políticos corruptos. As outras causas dessa mesma miséria têm a mesma origem.
Falando de Freitas do Amaral, somos obrigados a fazer aqui uma referência especial sobre esse
homem. Que vire a casaca política ou não, não se lhe pode apontar nenhuma das características de podridão que
caracterizam a vasta maioria dos políticos portugueses. Se a vira é de certo por bons motivos e cada um é livre de
reconsiderar e readaptar a sua linha os tempos que decorram. É um homem ilustre por seu próprio mérito, que pelos
seus conhecimentos e sabedoria, pela sua educação e princípios, pela sua formação moral e carácter justo, pela sua
sinceridade e alta instrução, honrado e honesto, não permite que o comparemos à podridão da maioria dos seus
confrades (talvez que ele até prefira não lhes chamar confrades), adira ele a que partido aderir. Quer na direita ou
na esquerda, Freitas do Amaral sempre foi e é um exemplo a seguir, um
homem digno em quem se pode confiar. É um exemplo vivo a quem os políticos corruptos evitam de seguir as pegadas.
É uma excepção que prova a regra. Não é a única, mas desgraça profunda é que comentários como o presente não
possam fazer-se a propósito da enorme maioria dos políticos portugueses. As qualidades e os defeitos dos políticos
nada têm a ver com os ideais dos partidos a que aderem, são apenas o que advém das suas qualidades ou defeitos
pessoais, o que os incita a aproveitarem-se das ocasiões (a ocasião faz o ladrão) em seu proveito próprio,
em se servirem do país em lugar de o servirem, satisfazendo os seus profundos desejos egoístas e gananciosos.
Desejos esses de índole criminosa, dada a conjuntura em que são praticados.
Vezes sem conta os políticos
honestos são afastados pelos seus confrades corruptos, ou estes tudo tentam para o fazer. Um exemplo deste facto é
António Guterres, homem de muitos méritos, não iguais, mas pelo menos tantos quantos os de Freitas do Amaral, de
prestígio mundialmente reconhecido, devido às suas competências e qualidades. Mundialmente o mais prestigiado
português e que o era já muito antes de lhe ser atribuído o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os
Refugiados (ACNUR ou UNHCR). Foi aliás por essa razão que ganhou o cargo e não o contrário, entenda-se. Todavia a
podridão dos políticos portugueses tudo forjou para o afastar. Não são estes factos suficientemente elucidativos
dos veementes maus sentimentos desses políticos? Não são estas, acções de malvadez? Se não são uma coisa nem
outra, que poderão então ser? Quem não se lembra dos comentários sujos a seu propósito perpetrados por alguns corruptos
podres, alguns dos quais conseguiram mesmo lugares de destaque nos seus partidos e na política nacional? É assim
em Portugal: políticos podres e malvados conseguem enganar a população devido à ignorância crassa e profunda em
que esta última é propositadamente mantida, devido ao grande orgulho que políticos traidores lhe injectam com essa
intenção, a fim de que dela se aproveitem, como o têm feito com a destreza dos perversos. Em Portugal, quanto mais
malvado mais recompensado. Não são eles, com o apoio dos jornalistas, os autores dessa ignorância, mãe da
estupidez (Victor Hugo)? Por isso que eles continuam a receber votos. Quem não sabe em quem votar que procure
saber. Outro facto escondido por políticos e jornalistas. Quem goste desta situação
que continue sem fazer nenhum esforço para com ela terminar. Enquanto esta podridão durar, Portugal manter-se-á um
país do terceiro mundo. Mas orgulhoso de o ser. Agradeçamos aos políticos e aos jornalistas, que com tanta dedicação e eficiência nos ajudam
a manter a posição. (mais sobre a instrução)
[ Sumário ]
A saúde é o que se conhece, mata os cidadãos à espera de serem tratados. Todos conhecem os
problemas dos serviços de saúde e como eles nos matam de diversas maneiras. Só os políticos que nos governam
pretendem ignorá-lo, por isso que se limitam às mezinhas. Pior, inventam regulamentos especialmente concebidos
para afastar dos necessários cuidados de saúde aqueles que deles mais precisam por não os poderem pagar e que a
eles têm direito constitucional. De que se podem classificar estas acções senão como de pura malvadez,
sobretudo se se conhecer como funcionam serviços semelhantes nos outros países Europeus, em que os estados
despendem montantes inferiores. A constituição garante o acesso igual de todos os
cidadãos a serviços de saúde dignos desse nome, mas os políticos que "ocupam" governos e legisladores
contornam-na. Nunca conceberam um sistema válido como nos países democráticos. O texto da nossa constituição tem
realmente um texto muito bonito, mas disso não passa porque políticos malvados a contrariam a torto e a direito.
A isto nenhum presidente da república digno desse nome teve a honestidade de mandar leis deste âmbito para o
Tribunal Constitucional. Pudera, ele também tem o seu serviço privado de saúde como os outros políticos seus
confrades. Presidente de todos os portugueses, não é? Nunca nenhum foi educado nesse sentido ou para isso teve
qualquer preparação humanitária ou tampouco nacional, além de que quase todos terem sido produtos de partidos
oligárquicos.
Muito frequentemente faz-se uma enorme e desproporcionada algazarra (scoop jornalístico) sobre grandes
avanços na medicina em Portugal. Porém, omite-se que os cursos dos médicos estão entre os muitos que não são reconhecidos
em países avançados. Os casos dos scoops são, afinal, nem mais nem menos do que as excepções que provam esta regra.
Passa-se também por cima do facto vital de que esse pouco progresso em Portugal de nada serve quando ao cidadão comum lhe está vedado o
acesso, seja porque a Estado não o paga aos cidadãos, seja porque ainda não está disponível em Portugal – salvo
nas excepções dos scoops, o que, de modo algum pode ser tomado como uma vantagem para a saúde nacional – quando,
geralmente, noutros países já o está há muito e o acesso é para todos os cidadãos. Certas áreas da saúde são
contínua e completamente desprezadas por todos os governos (bem hajam os nossos queridos políticos que tão bem se
ocupam das necessidades básicas do povo que os elege, representando-os, assim, como pretendem). Não obstante,
segundo a Organização Mundial de Saúde – assim como é reconhecido em qualquer país civilizado, entre os quais
Portugal insiste em não se poder contar – “A saúde é um estado COMPLETO de bem-estar físico, mental e social, e
não consiste somente numa AUSÊNCIA de doença ou enfermidade”. Esta frase em Portugal até soa profana. Que risota!
Até hoje, os nossos queridos políticos consideram que mesmo a saúde dentária é uma regalia especial reservada a
ricos e não uma parte essencial da saúde de todos, incluindo a dos pobres. Será por malvadez? Se não é, porque
será?
Custa muito mais (é muito mais caro) ao Estado e às famílias uma população sem saúde ou doente,
como em Portugal, do que com saúde, como nos países onde se gasta menos nela, os cidadãos são tratados convenientemente
e os resultados são melhores. Não será este facto comprovado mais uma demonstração elucidativa de incapacidade dos
governantes? Ou será por malvadez que nos tratam assim da saúde? A vacina para a meningite, gratuita por toda a
Europa há cerca de 50 anos, em Portugal só passou a sê-lo a partir de Janeiro de 2006. Mais um facto que leva o
Eurostat a classificar o atraso de Portugal em mais de 52 anos. Admiração? Comparando com o que se passa noutros
países conclui-se que por alguma razão será, estes factos não acontecem sem uma razão. No entanto, como aos
políticos portugueses isso não lhes dá votos imediatos para serem reeleitos, este facto é ignorado, desprezando
assim uma das necessidades básicas e primordiais do povo português, adoptando o sistema do utilizador pagador, de
que o Estado – neste caso os políticos que ocupam os governos – se lava as mãos. Procedimento similar ao que se
refere aos factores básicos sobre os elementos geradores de progresso. Só que, no caso específico da saúde,
àqueles que não têm dinheiro para se tratarem, os políticos, malvadamente, infligem amargura e sofrimento. Não
comparticipando medicamentos de prevenção contra doenças muito conhecidas e com tratamentos extremamente
dispendiosos (ex.: cancro do cólon), roubam o dinheiro da Segurança Social. Quando mais tarde a doença se declarar
em estado avançado, os tratamentos são muito mais dispendiosos do que teria sido o gasto com a simples prevenção,
se esta tivesse existido. Devido ao atraso intelectual da população, que não diferencia muito bem os seus próprios
interesses, é este um dos muitos assuntos que não dá votos suficientes que despertem a atenção dos políticos em
resolvê-lo. Não vale a pena, melhor abotoarem-se com o dinheiro dum modo disfarçado ou usá-lo noutra coisa que dê
votos que lhes assegurem a reeleição. Um roubo dos cidadãos nem sempre se opera de modo directo, claro e
facilmente detectável, é sempre simulado, como, por exemplo os €1,2 milhões estafados em veículos para o pessoal
de direcção do Banco de Portugal, entre Janeiro de 2004 e Junho de 2005, como publicado. Má administração
e alta corrupção? Traição a nível nacional em relação aos eleitores? Serão estas observações cínicas ou objectivas? (Saúde)
[ Sumário ]
A Justiça é o que todos sabemos. A Justiça em Portugal foi estruturada e organizada pela última
vez há cerca de 170 anos, no reinado de D. Maria II. Depois disto, pouco mais mudou, salvo as tradicionais
mezinhas portuguesas que para pouco mais do que nada servem. O poder político abandonou completamente o o
sistema de justiça. O sistema de justiça tem vivido entregue a si próprio numa autonomia inigualável em nenhum
país democrático, desligado de qualquer estrutura, sem nenhum controlo, nenhuma regulamentação, sem nenhuma
verdadeira reforma digna desse nome. Juízes, magistrados e direcção da Polícia Judiciária, completamente
desresponsabilizados das suas funções e das suas acções. Ninguém presta contas ao povo soberano. A pouco e pouco
tornou-se na autêntica bandalheira oligárquica por que hoje é amplamente reconhecida. Inacreditável, o próprio Procurador
Geral da República, em meados de Março de 2006, queixou-se publicamente do desconjunto na colaboração da Polícia
Judiciária com os seus serviços. O facto é real, mas não lhe dá razão, pois que assim sendo, ele deveria tomar a
iniciativa de fomentar essa colaboração com a sua própria polícia. Em conclusão, a bandalheira tem-se instalado
no sistema como aliás em tudo o resto que é Estado, devido a decisões irresponsáveis, demagogas e
desapropriadas dos incompetentes mas gananciosos que o encabeçam.
Afinal, não é a Justiça composta de cidadãos que cresceram
e estudaram conjuntamente com o resto da população? Não se queira que pobres
comuns e miseráveis mortais sejam considerados como deuses, seria o ridículo
dos ridículos, o cúmulo dos cúmulos e aceitá-lo a mais grosseira estupidez. Não seguiu ela própria e as pessoas que
a compõe o mesmo caminho que o resto das instituições, do governo e daqueles que o compõe, da população em geral,
acabando por se enfiar num buraco absolutamente idêntico, senão o mesmo? A Justiça, arrastada pela força da
inércia geral ou por ela mesma, chegou assim ao ponto que ocupa na constelação duma nação podre. Não servem estes
factos, todavia, de desculpa ou de razão para essa ou qualquer outra oligarquia. Factos são factos e provam-se
por si mesmos. Os "gritos" dos que a compõe contra os governos não são certamente desprovidos de toda a razão, mas
embora os jornalistas, coniventes como de costume, no-lo escondam, a realidade escamoteada é que com meios
financeiros idênticos outros países têm uma Justiça decente. Tal como com o sistema de saúde e tudo o mais. O
dinheiro aplicado nunca chega por falta de capacidade para o administrar, corrupção e as outras causas
de sempre. Se é assim com tudo, porque não com a Justiça?
Também há que reconhecer outro facto realçante que muito tem contribuído para a degradação da
Justiça e que também ele nunca foi suficientemente esclarecido pelos mesmos jornalistas com as mesmas qualidades
acima referidas. Trata-se do enorme aumento progressivo da criminalidade que tanto incrementou o número de
queixas e subsequentes processos, ampliando assim o trabalho dos tribunais.
Façamos aqui uma paragem para
mencionarmos as causas mais comuns dum aumento de criminalidade. São elas, a pobreza e a educação e princípios
das populações. No que respeita a Portugal e à segunda destas causas, as razões encontram-se espalhadas por este
site e não parece necessário repeti-las aqui. Lembre-se apenas que os seus causadores, são também sempre os
mesmos. Para tudo existe uma razão, nada no universo é deixado ao azar, ainda que muitos o pretendam. Todavia, o
estado lamentável a que a Justiça chegou em Portugal, nojento por se tratar dum bem mais precioso do que a
caridade, não pode desculpar ninguém que nele esteja implicado, por pouco que seja.
Ninguém confia nesta justiça, pelo que todos a evitam, já que nunca se sabe quem vai ganhar ou
perder: é um verdadeiro jogo de sorte e de azar. Os políticos afirmam em público que crêem na justiça que eles
não têm querido reformar. Mas quando lhes chega a ocasião de demonstrarem as suas afirmações, procedem de modo
que demonstra o contrário, usando tudo o que podem como armas de arremesso, incluindo até pedidos de
indemnização. Afinal, a justiça em que dizem confiar é só quando esta se aplica aos outros, quando lhes bate à
porta nunca confiam nela. Faz lembrar o caso do que os os jornalistas e outros nos falam sobre o que nos outros
países se pensa dos portugueses. Quando interrogados exteriorizam as mais
altas apreciações, mas quando falando
entre eles dizem a verdade. Claro que isto só conhecem aqueles que tiverem relações bastante próximas com
cidadãos de outras nacionalidades, sobretudo europeias, não nos contam os jornalistas nem os políticos por poder
ferir o orgulho infundado daqueles a quem têm infligido uma ignorância monstruosa para dela se aproveitarem, como
explicado algures neste site.
Se todas as outras deficiências do sistema se pusessem de parte, não seria este sentimento geral
sobre a utilidade da justiça por si só
suficiente para julgar o desprestígio de todos aqueles a quem ele concerne como sendo ainda relativamente pequeno
em relação à crua realidade? Quando o povo na sua maioria se queixa, nunca o faz sem motivo. O que torna as
queixas ainda mais significativas e pungentes são a índole fatalista e o facto dos carneiros portugueses habitualmente até se
queixarem demasiado pouco de tudo.
Paródia de justiça. Os tribunais são frequentemente o palco do poder duma
oligarquia e não da justiça. Demonstração da arrogância, característica incontestável dos tolos ignorantes,
sequência duma educação sem princípios ou fundada em falsos princípios (criados no pós Abrilada) em que os valores
morais não passam duma capa/máscara de impostura para enganar a todos: como tal, ainda da incompetência e da
estupidez. Não cumprindo a sua função, a justiça não salvaguarda nem defende os direitos dos cidadãos. O que
justifica as frequentes demonstrações de arrogância da parte de juízes, em lugar de cumprirem o seu dever. Claro
que como em tudo há excepções, o que só confirma a regra. A abundante existência de políticos e de magistrados indignos não
pode significar que todos assim sejam. Por analogia, o contrário também é verdade. Mas não é pela obra que se vê o obreiro? Uma clara
consequência que atesta nitidamente a situação da justiça em Portugal é o descontentamento geral da população em
relação a ela, a população a quem ela devia servir, mas que não serve; ninguém confia na justiça, pelo que todos a evitam, já que nunca se sabe quem vai ganhar ou perder
nem quando isso acontecerá,
é um verdadeiro jogo de sorte e de azar num tempo indeterminado. Este facto,
certeza evidente, é inegável.
Os juízes e os magistrados não podem escapar-se de acarretarem com a maior culpa: são eles quem
melhor conhece os problemas da Justiça contra os quais os tribunais, a população e eles mesmos se debatem, a
ineficiência e todos os outros males, mas acobardam-se e em lugar de irem para a rua reclamar e bater o pé, como
já aconteceu noutros países europeus, fazem greves rascas e colocam-se ao nível de funcionários ou empregados.
Repudiam o seu estatuto e pretendem hipocritamente tomar a população completa por estúpida, declarando que o fazem no interesse geral dos
cidadãos, quando o seu procedimento é uma autêntica declaração de defesa dos interesses particulares da
oligarquia que formam. Para resolverem os problemas da Justiça, enveredam por caminhos errados e querem ter
sempre razão. Se não é esta uma prova irrefutável de arrogância e soberba, o que será então? Quando se nos nega o
que é evidente saibamos ler entre as linhas.
Afinal, não formam eles, juízes e magistrados, parte integrante duma população atrasada? Não andaram
na escola e não cresceram eles com a restante população? Afinal, não cresceram os juízes com o resto da popu |